Foi uma semana cansativa. Não digo para esquecer, porque teve momentos bons, mas...sinceramente, a última coisa que quero fazer agora é abrir a boca para falar. Passei dias a gritar. Não gosto. Quero esquecer isso.
O que era para ter sido 3 dias com o meu afilhado de 3 anos, acabou por ser 4 dias com o meu afilhado de 3 anos, o irmão de 6 (que entretanto arranjou uma amigdalite) e, hoje, o meu primo de 5 anos... que sem qualquer aviso, sem sequer pedir se podia ficar com o miúdo, a minha tia mandou para lá.
Quem já tomou conta de crianças sabe que é um dos poucos casos em que quantos mais, melhor, porque eles acabam por arranjar maneira de se entreterem uns aos outros. Hoje de manhã foi a excepção à regra...
Apeteceu-me arrancar cabelos. Apeteceu-me mandar uma lacheta a cada um (e esteve bem perto de acontecer), enfiá-los num quarto qualquer, fechar à chave e mandar a chave para o rio. Mas como eu sou má (como o meu afilhado me relembrou muitas vezes esta semana), mas não assim tão má, o máximo que fiz foram duas palmadas (ou três) e gritos. Muitos gritos...
Sinto-me frustrada. Eu sou uma pessoa calma e eles tiram-me do meu habitual estado zen. E como se não bastasse eles serem completamente insolentes, desrespeitosos e mal educados comigo, juntemos à equação a tal tia que mandou para lá o miúdo e a minha avó, que fazem tudo o que os meninos querem, só para não terem de os ouvir. à conta disso, eram 11h e estavam com pastilhas na mão (que foram retiradas, num caso específico, à força), com a promessa de serem devolvidas depois do almoço, e às 12h30 andavam a comer cereais, quando almoçamos às 13h. Para colmatar a grandiosidade deste "toma lá e cala-te", tive de fazer guerra com elas as duas para obrigar os miúdos a almoçar na mesa da cozinha com toda a gente (geralmente mandam-nos para a mesa da sala e ligam a televisão na rtp2, onde dão bonecos). Tive de relembrar a minha avó que quando eu tinha a idade deles era inconcebível comer numa mesa diferente do resto da família e de dizer à minha tia que nós os 4 tínhamos combinado almoçar todos na mesa, porque ela já estava a instalar o filho na outra. Enfim...não fica aqui nem metade, o desabafo já vai longo.
De qualquer maneira, nem tudo foi mau. Os momentos de insolência foram intercalados com brincadeira e ternura e alguns momentos de sossego a ver filmes. Ensinei-os a jogar ao "Quantos queres?", fazendo o jogo de forma a ser interactivo, ou seja, com animais e profissões que tínhamos de imitar e histórias que tínhamos de dramatizar.
Nem tudo foi mau e sei que muitas coisas podiam ter sido diferentes, mas até faço um balanço positivo, tirando os gritos, que se eu tivesse encontrado outra maneira de fazer as coisas teria sido melhor, mas ao fim de dizer as coisas na meiguice, ou com calma 3 e 4 vezes, a paciência esgota-se.
Precisava de me libertar.